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Diretora de Imprensa: Vera Luiza Xavier
A violência policial contra jovens negros é uma preocupação e um dos grandes desafios dos governos e da sociedade no Brasil
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Carlos Vasconcellos
Imprensa SeebRio
Foi realizado, na última segunda-feira (30/03), em Brasília, o lançamento do Observatório Nacional das Juventudes (ONJ), plataforma digital e instância articuladora do governo federal. A iniciativa foi lançada em março de 2026 pelo governo do presidente Lula, por meio da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ).
O objetivo do Observatório é centralizar dados, estudos e pesquisas para subsidiar a formulação de políticas públicas mais eficientes voltadas aos jovens brasileiros, com idade entre 15 e 29 anos. A prioridade é atender especialmente aqueles que vivem em áreas rurais e em comunidades de baixa renda nos centros urbanos.
O secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar, bancário do Bradesco, participou do evento na capital federal. O dirigente sindical também representou a CUT Nacional e o Comitê Gestor do Plano Juventude Negra Viva (PJNV), do Ministério da Igualdade Racial.
Importância do Observatório
Almir Aguiar avaliou positivamente a iniciativa do governo federal. "O Observatório tem um papel fundamental ao mapear a juventude, considerando raça, território, gênero e condição socioeconômica. A partir desses dados, é possível compreender melhor como os jovens estão inseridos na sociedade e, assim, formular políticas públicas que contribuam para a construção de um futuro mais seguro e inclusivo, especialmente para negros e negras, que compõem a maioria dos jovens em situação de pobreza no Brasil”, afirmou.
Violência nas periferias
Jovens negros são as principais vítimas fatais de ações policiais em bairros periféricos e favelas no Brasil. Em alguns estados, essa parcela da juventude chega a representar até 90% das mortes decorrentes de intervenções policiais.
Educação e emprego
No Amazonas, por exemplo, 92,6% das vítimas fatais em ações policiais eram negras. Na Bahia, esse número sobe para 94,6%, e, em Pernambuco, chega a 95,7%. Outros estados, como Ceará, Maranhão, Pará, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo, também apresentam índices elevados, todos acima de 66%. "Está mais do que provado que ações militares em favelas não solucionam o grave problema da violência urbana nas grandes cidades, ao contrário, até agravam. A solução passa pela oferta de educação pública de qualidade, em tempo integral, com formação profissionalizante, atividades culturais e esportivas, além da geração de empregos, garantindo a inserção dos jovens no mercado de trabalho”, afirmou Almir Aguiar.