Terça, 10 Março 2026 17:30

Sindicato critica cessão de áreas verdes para a iniciativa privada

As áreas verdes são o principal atrativo da cidade do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação. As áreas verdes são o principal atrativo da cidade do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação.

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Imprensa SeebRio

A diretora da Secretaria de Meio Ambiente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Cida Cruz, criticou a política de entrega de áreas verdes pela Prefeitura da cidade a projetos da iniciativa privada que incluem a derrubada de árvores para a construção de lojas, bares e shoppings, como no caso do Jardim de Alah.

“Essas permissões do prefeito Eduardo Paes para a derrubada de árvores em áreas de proteção ambiental, ao invés de tornar a cidade mais segura para os moradores, do ponto de vista do meio ambiente, vai contra tudo isso que foi discutido na Conferência das Cidades, em Brasília, de 23 a 27 de fevereiro”, afirmou Cida Cruz.

Acrescentou que uma das conclusões da conferência foi a necessidade de tornar as cidades mais protegidas ambientalmente para que a população viva com menos agressão ambiental, reduzindo os combustíveis fósseis, a quantidade de lixo dos lixões, promovendo o aumento da reciclagem para produzir insumos e instrumentos que possam voltar para a natureza, na chamada economia circular. “A postura de Paes vai na contramão de tudo o que foi debatido e aprovado na Conferência das Cidades”, frisou.

Em artigo publicado no site “O eco”, André Ilha, membro fundador do Grupo Ação Ecológica (GAE), lembra que o prefeito segue na exata contramão do que ocorre hoje em grandes cidades como Berlim, Madri e Seul. “Para citar apenas algumas, que estão renaturalizando áreas outrora antropizadas, e ignora, na prática, embora não no discurso vazio, que o Rio de Janeiro é uma cidade cujo maior charme – e ativo econômico, como reconheceu a secretária – é precisamente a sua exuberante natureza”.

Segundo o ambientalista, Paes tem não apenas permitido, mas estimulado, uma ocupação massiva por edificações, instalações e incontáveis eventos dos espaços livres remanescentes e de parte das praias cariocas, comprometendo assim, simultaneamente, a paisagem, a biodiversidade e a qualidade de vida dos cidadãos em prol de uma captação frenética de visitantes. “Com isso, o prefeito colhe bons índices econômicos, mas falha no dever básico de zelar pelo bem-estar, inclusive emocional, dos munícipes”, afirma.

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