Terça, 24 Fevereiro 2026 16:40

Indígenas pressionam e governo desiste de transformar rios em hidrovias

Boulos anuncia revogação de decreto. Foto: Agência Brasil. Boulos anuncia revogação de decreto. Foto: Agência Brasil.

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“Esse é um governo que tem compromisso com a escuta do povo, com a escuta dos trabalhadores, com a escuta dos povos indígenas. Esse é um governo, inclusive, que leva a escuta a um ponto de recuar de uma decisão própria por entender, compreender a posição desses povos”. A afirmação foi feita nesta segunda-feira (23/2), pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, juntamente com a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, após reunião com representantes indígenas do Baixo Tapajós, no Palácio do Planalto, em Brasília.

No encontro Boulos anunciou a decisão do governo federal de revogar, também na segunda-feira, o decreto que autorizava a criação de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, na Amazônia, para o escoamento de grãos, principalmente soja.  “Quero anunciar para vocês a decisão do presidente Lula de revogar o decreto 12.600/2025 relativo ao Rio Tapajós, Tocantins e Madeira que foi feito pelo governo federal em agosto do ano passado, a partir da escuta que nós fizemos com os povos indígenas”, anunciou Boulos.

O site Carta Capital lembra que o recuo acontece em meio a uma ampla pressão das lideranças indígenas pela revogação do decreto. Há mais de 30 dias, integrantes indígenas mantinham uma ocupação no terminal da Cargill Agrícola, em Santarém (PA), que movimenta milhões de toneladas de soja e milho. Também foram registradas manifestações de apoio em frente às instalações da Cargill em São Paulo.

A Carta Capital acrescente que embora o governo federal afirme uma posição de diálogo, representações indígenas mencionavam ‘silêncio institucional’ ao longo do período. Em uma carta aberta publicada nas redes sociais no sábado 21, o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns, que representa 14 povos do Baixo Tapajós (Pará), afirmou que a ocupação à empresa se deu após ausência de respostas concretas aos pedidos de revogação.

 

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