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Diagramação: Marco Scalzo
Diretora de Imprensa: Vera Luiza Xavier
Carlos Vasconcellos
Imprensa SeebRio
Bancárias e bancários de todo o país participaram, de 22 a 24 de agosto, em São Paulo, da 27ª Conferência Nacional da categoria. Na sexta-feira (22), ocorreram também o 40º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), o 35º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB) e os encontros nacionais dos trabalhadores de bancos privados.
Impactos da IA no emprego
Um dos principais temas da Conferência foram os efeitos das novas tecnologias, especialmente da Inteligência Artificial (IA), sobre o emprego bancário. Em julho, o Itaú Unibanco lançou o Itaú Emps, aplicativo voltado a micro e pequenos empreendedores, que utiliza IA Generativa para substituir o atendimento feito por gerentes humanos.
Nos debates, destacou-se que os bancos brasileiros investem proporcionalmente muito mais em tecnologia do que em outros países. Enquanto, no mundo, os gastos do setor cresceram 35% entre 2018 e 2023, no Brasil o aumento foi de 97%. Dados da Febraban mostram ainda que, em 2024, 75% das transações bancárias já eram feitas pelo celular.
O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio, José Ferreira, alertou que o avanço tecnológico e as novas formas de contratação vêm reduzindo postos de trabalho. “Isso ocorre tanto com a diminuição direta do emprego, quanto pela precarização dos contratos, como faz o Santander com uma terceirização que consideramos fraudulenta. Além disso, fintechs e outros agentes se apresentam à sociedade como bancos, mas, perante o Estado, atuam com outro enquadramento empresarial, escapando da devida tributação”, afirmou.
O que defendem os sindicatos
O movimento sindical defende que o sistema financeiro seja regulado e cumpra responsabilidade social, atuando em favor da sociedade e do desenvolvimento do país — e não apenas da lucratividade.
“O uso das tecnologias deve assegurar melhores condições de trabalho e de vida, com redução da jornada sem corte de salários, e não servir apenas para aumentar os lucros, promover demissões e precarizar empregos. A IA pode sim elevar a produtividade, mas preservando os postos de trabalho”, destacou a vice-presidenta do Sindicato do Rio, Kátia Branco.
A economista e técnica do Dieese, Vivian Machado, apresentou dados que comprovam o aumento da lucratividade dos bancos com o avanço tecnológico: nos últimos 12 meses, os cinco maiores bancos do país elevaram seus lucros em R$ 126,7 bilhões, alta média de 18%.
Já a também economista do Dieese, Rosângela Vieira, chamou atenção para a mudança no perfil das funções bancárias. “Enquanto cargos como caixa e escriturário estão desaparecendo, cresce o número de trabalhadores em tecnologia da informação. Em 2013, apenas 2,7% das ocupações nos bancos privados eram em TI; em 2024, esse índice já chega a quase 13%.”
Democracia e soberania nacional
Além do impacto da tecnologia, a Conferência discutiu a conjuntura política nacional e internacional, com foco na defesa da democracia e da soberania nacional.
O historiador e professor de Literatura Comparada, João Cezar de Castro Rocha, fez uma análise da formação estrutural dos privilégios no Brasil, das novas estratégias da extrema direita transnacional e da necessidade de vigilância permanente para evitar retrocessos.
Segundo ele, o Senado será um espaço estratégico nas eleições de 2026. “O projeto da extrema direita é concentrar forças no Senado. Se conquistar maioria ali, a porta estará aberta para os retrocessos”, alertou, defendendo que o povo brasileiro eleja senadores comprometidos com a classe trabalhadora e com a democracia.