Quinta, 02 Abril 2026 17:38
CAIXA

Modelo de comissionamento do Super Caixa 2026 é ainda pior que o anterior

Representação dos empregados critica novas regras que ampliam condicionantes para pagamento da comissão e aumentam pressão por metas

 

 Carlos Vasconcellos

Imprensa SeebRio

Com informações da Contraf-CUT

Os representantes dos empregados e empregadas da Caixa Econômica Federal que participaram da negociação com a direção do banco nesta quinta-feira (2/4), para debater o Super Caixa — modelo de comissionamento —, consideram o programa previsto para 2026 ainda pior do que o que estava vigente anteriormente. 

No novo modelo, o comissionamento passa a depender também do lucro do banco; há uma nova forma de avaliação, que amplia o número de indicadores e o sistema de níveis pode reduzir os valores recebidos.

Além de expressar a insatisfação dos trabalhadores com o Super Caixa 2026, a CEE-Caixa (Comissão Executiva dos Empregados) apresentou, no encontro, propostas de mudanças e solicitou a realização de uma reunião específica com a Caixa para tratar do tema.

Mudanças unilaterais

A análise feita pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), assessorada pela CEE-Caixa, aponta que as alterações ampliam as condicionantes para o pagamento da comissão, aumentam a complexidade do sistema de metas e podem dificultar o acesso dos trabalhadores aos valores previstos no programa.

“A Caixa implementou este programa sem qualquer debate ou participação da representação dos trabalhadores. Se houve alguma conversa antes da implementação, não foi com entidades ligadas à Contraf-CUT”, afirmou o coordenador da CEE-Caixa, Felipe Pacheco.

O dirigente sindical lembrou que, desde o anúncio do Super Caixa, em meados de agosto de 2025, a representação dos empregados fez diversos questionamentos, alertando que os bancários seriam prejudicados, além de apresentar propostas de melhorias.

“A Caixa conseguiu piorar ainda mais o que já estava ruim, criando mais dificuldades para que os empregados recebam a comissão”, acrescentou.

Principais alterações

Entre as principais mudanças está a inclusão de uma nova condição para o comissionamento: o pagamento passa a depender também do lucro líquido contábil da Caixa no semestre. Antes, a comissão estava diretamente relacionada ao cumprimento das metas estabelecidas para as unidades e equipes.

Outro ponto destacado pelas entidades sindicais é a adoção de um novo modelo de avaliação baseado em múltiplas dimensões de desempenho, ampliando o número de indicadores utilizados para medir resultados.

Também foi introduzido um modelo escalonado de comissionamento, com cinco níveis de pagamento, o que pode reduzir o valor final recebido pelos trabalhadores quando os níveis mais altos não são atingidos.

O regulamento altera ainda critérios operacionais importantes, como o aumento do tempo mínimo considerado para apuração do resultado em uma unidade e mudanças na forma de cálculo do teto da comissão.

Pressão por metas

Na avaliação dos sindicatos, as mudanças reforçam um modelo de gestão cada vez mais baseado em metas e pressão por resultados, o que tem contribuído para o adoecimento dos trabalhadores.

“O que vemos nesse novo regulamento é o aumento das condicionantes para o pagamento da comissão e uma maior complexidade no sistema de avaliação. Isso pode gerar um descolamento entre o esforço dos trabalhadores e o reconhecimento pelos resultados alcançados”, afirmou Felipe, em matéria publicada no site da Contraf-CUT. Segundo ele, mesmo que as equipes cumpram ou superem as metas nas unidades, o pagamento da comissão passa a depender do resultado global do banco — um fator que não está diretamente ligado ao desempenho dos trabalhadores e que pode impedir o recebimento pelo trabalho realizado.

Propostas dos empregados

A representação dos trabalhadores apresentou sugestões para tornar o programa mais transparente e equilibrado.

Entre as propostas estão: a retirada da condicionante de lucro para pagamento da comissão; a simplificação dos critérios e indicadores utilizados na avaliação; a manutenção de regras que não prejudiquem trabalhadores que mudam de função ou unidade durante o período; e maior transparência sobre o orçamento total destinado ao comissionamento.

As entidades sindicais defendem que o modelo deve valorizar os empregados, responsáveis pelos resultados da empresa. Na avaliação do movimento sindical, o formato atual segue na contramão dessa lógica, ao ampliar mecanismos que, segundo a categoria, aumentam a exploração e o adoecimento dos trabalhadores.

Nova reunião

Para os representantes da CEE-Caixa, o tema precisa ser debatido em uma reunião específica. Eles defendem que o modelo de comissionamento deve servir para motivar — e não explorar — os empregados.

Os dirigentes sindicais já haviam levantado essas questões na reunião do último dia 31 de março e solicitaram um novo encontro para a próxima quarta-feira, 8 de abril.

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