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Diagramação: Marco Scalzo
Diretora de Imprensa: Vera Luiza Xavier
Carlos Vasconcellos
Imprensa SeebRio
Com informações da Contraf-CUT
O primeiro painel de debates do 40º Conecef (Congresso Nacional dos Empregados e Empregadas da Caixa Econômica Federal) foi realizado na manhã desta sexta-feira (22). Um dos temas centrais da mesa foi o Saúde Caixa, considerado uma das maiores preocupações dos trabalhadores da estatal, juntamente com as condições de trabalho.
No último dia 14 de agosto, no edifício Aqwa Corporate, na Região Portuária do Rio de Janeiro, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa) participou de mais uma rodada de negociação com representantes da empresa para tratar do tema. Na reunião, os representantes dos trabalhadores reforçaram que a viabilidade e a sustentabilidade do plano passam pela política de reajuste zero e pelo fim do teto de 6,5% para os custos com assistência à saúde.
Durante o painel no Conecef, o diretor da Contraf-CUT e membro da CEE-Caixa, Rafael de Castro, destacou a importância histórica do congresso. “Estamos na 40ª edição do Conecef, e é daqui que sempre saem as prioridades da atuação das empregadas e empregados”, afirmou. Para ele, os trabalhadores da Caixa estão sendo “massacrados” no cotidiano. “Não podemos normalizar que pessoas trabalhem com medo, sob pressão, voltem para casa esgotadas, desmaiem na cama e no dia seguinte enfrentem a mesma rotina de massacre”, denunciou.
O diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e representante da Federa-RJ, Serginho Amorim, coordenou a mesa que abordou o sofrimento mental na categoria. Ele enfatizou a relação direta entre o aumento dos casos de adoecimento e a necessidade de garantir a sustentabilidade do Saúde Caixa. “É fundamental ter uma visão mais ampla, que relacione o adoecimento da categoria com a importância de garantir um plano de saúde que atenda às nossas necessidades e expectativas”, afirmou.
O diretor de Saúde e Previdência da Fenae (Federação Nacional do Pessoal da Caixa) e presidente da Apcef/SP, Leonardo Quadros, apresentou dados alarmantes sobre os afastamentos por doenças relacionadas à saúde mental na Caixa. Segundo ele, em 2024, quase 75% dos afastamentos foram motivados por transtornos mentais e comportamentais. “A própria Caixa estimou que os custos com tratamentos dessas doenças, apenas em 2024, chegaram a quase R$ 200 milhões. Não sabemos exatamente se esses números consideram apenas terapias ou também internações, mas é evidente que os custos com saúde mental têm crescido significativamente nos últimos anos”, observou Leonardo. Ele criticou a ausência de uma política eficaz de prevenção por parte da empresa e lembrou que, a partir de 2026, todas as empresas serão obrigadas a incluir os riscos psicossociais entre os riscos ocupacionais, conforme determinação do Ministério do Trabalho.
“Na média nacional, doenças mentais representam cerca de 8% dos afastamentos por acidente de trabalho. Na Caixa, esse percentual chega a quase 75% — e até hoje a empresa não tem uma política efetiva para enfrentar esse problema”, denunciou.
A economista e técnica do Dieese, Hyolitta Araújo, apresentou dados de afastamentos registrados no INSS e resultados da pesquisa da Fenae realizada em 2025 com mais de 3 mil empregados da Caixa. Apesar de metodologias distintas, tanto os dados do INSS quanto os da Fenae apontam a ansiedade, o estresse e a depressão como principais causas do adoecimento mental na categoria.
Hyolitta destacou que a reorganização do modelo de trabalho nos últimos anos teve impacto direto nesse cenário:
“Os novos modelos de organização, os ataques aos direitos trabalhistas, o ritmo acelerado, a pressão, a falta de pessoal e o assédio moral fizeram com que os bancários apresentem uma das maiores incidências de transtornos mentais entre todas as categorias”, afirmou.
Em 2024, mais de 50% dos afastamentos registrados pelo INSS entre bancários estavam relacionados à saúde mental. Na Caixa, o número sobe para quase 70%.
Outro dado preocupante revelado pela pesquisa da Fenae é o baixo índice de registro da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT): 82% dos empregados disseram não ter registrado, mesmo tendo passado por situações que justificariam a abertura do documento. Entre os motivos, 37% disseram ter medo de retaliação por parte da empresa.
O psicólogo e pesquisador André Guerra, doutor e mestre em Psicologia Social e um dos responsáveis pela pesquisa da Fenae, afirmou que o principal fator do adoecimento está no atual modelo de gestão de pessoas, cada vez mais alinhado ao sistema dos bancos privados.
“Esse adoecimento não se dá por características dos indivíduos ou da categoria, mas sim pela forma como o trabalho é organizado. A gestão da Caixa está cada vez mais parecida com a dos bancos comerciais”, explicou.
“Mesmo sem diagnóstico formal, muitos empregados estão em sofrimento psíquico. E isso precisa ser levado a sério”, alertou Guerra. Ele completou dizendo que, além de fatores como ergonomia e falhas nos sistemas, a principal causa para o sofrimento é a própria organização do trabalho baseada em metas e pressão constante.
Números da Pesquisa da Fenae
55% se sentem pressionados a vender produtos de baixa qualidade e não indicados aos clientes;
41% relataram medo do risco de descomissionamento;
28% afirmaram não encontrar sentido no trabalho que realizam.