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Diagramação: Marco Scalzo
Diretora de Imprensa: Vera Luiza Xavier
Carlos Vasconcellos
Imprensa SeebRio
O Sindicato do Rio tem recebido denúncias de que o Bradesco está demitindo gerentes com anos de casa. O motivo está fora da responsabilidade do bancário: clientes que decidem cancelar seus consórcios. “O banco transfere para o trabalhador um risco que faz parte do negócio. Esta prática configura assédio moral estrutural”, explica o diretor de base do Sindicato do Rio, Herbert Correa. A lógica que transforma metas abusivas em ferramentas de punição e descarta profissionais dedicados, conta com o apoio dos Gerentes Regionais.
Armadilha do POBJ
O manual do Programa de Objetivos do Bradesco (POBJ) revela as regras do "Consórcio Expert". A norma estabelece uma espécie de "carência" de pontuação: para que o gerente, sua regional e a diretoria pontuem, o cliente precisa manter o pagamento por, no mínimo, cinco meses. “O absurdo reside no fato de que o Bradesco está responsabilizando diretamente os gerentes pela saúde financeira e pela continuidade do pagamento por parte dos clientes. Em um cenário econômico instável do país, onde dificuldades financeiras podem levar qualquer cidadão à inadimplência ou desistência, o banco exige que o gerente ‘garanta’ o comportamento do consumidor, algo que foge totalmente ao controle e à função do trabalhador”, acrescenta Herbert.
Demissões por Ganância
A situação atingiu um ponto crítico no último mês. A diretora do Rio de Janeiro que estava prevista pra ganhar uma bonificação em dinheiro como campeã de produção de consórcio, perdeu a colocação devido às desistências de clientes.
“A resposta da gestão foi implacável: a demissão de gerentes que realizaram as vendas, ignorando trajetórias de anos de dedicação, entregas consistentes e o cumprimento de metas. O banco optou pelo desligamento sumário. É o lucro acima das vidas. Enquanto o Bradesco celebra resultados bilionários, famílias de bancários são desamparadas por uma métrica punitiva e injusta”, critica o dirigente carioca, que acusa a prática de configurar assédio moral organizacional. O modelo de gestão impõe metas inalcançáveis e regras de pontuação punitivas e ainda utiliza o medo e a ameaça de demissão como método de controle, gerando um ambiente de insegurança e desgaste psicológico profundo.
Cárcere privado
A situação chegou a tal ponto que, na última sexta-feira (6/2) , o Sindicato recebeu denúncias que os gerentes regionais, pressionados pela Diretoria, exigiram que os bancários só deixassem as agências após a entrega do produto, o que Também configuraria a prática abusiva e desumana de cárcere privado.
“O Bradesco continua demitindo e sobrecarregando os funcionários para cumprimento de metas e usa de assédio e ameaças de demissão para alcançar os objetivos. O banco tem que respeitar quem constrói o seu lucro e usar de forma clara e honesta as regras dos objetivos a serem alcançados. Houve relatos de bancários que passaram das 20h dentro das agências, sendo obrigados a alcançar as metas”, denuncia o diretor do Sindicato do Rio Leuver Ludolff. .
O Sindicato está de olho
Na avaliação do movimento sindical, a busca desenfreada por resultados não justifica o atropelo da lei e da dignidade humana. “É inadmissível que o risco da atividade bancária seja transferido para as costas do trabalhador. Se o cliente desiste de um produto, isso faz parte do negócio e não pode ser motivo para o encerramento da carreira de um profissional. Estamos acompanhando de perto cada caso e tomaremos todas as medidas judiciais e políticas cabíveis para proteger a categoria”, completou Herbert.