Segunda, 09 Fevereiro 2026 18:24

Diretoria do Bradesco pune bancários no Rio por inadimplência de clientes

Banco demite gerentes pelo fato de consumidores cancelarem seus consórcios
Diretoria do Bradesco pune bancários no Rio por inadimplência de clientes Ilustração de arquivo: Júlio Mariano

 

Carlos Vasconcellos

Imprensa SeebRio

 

O Sindicato do Rio tem recebido denúncias de que o Bradesco está demitindo gerentes com anos de casa. O motivo está fora da responsabilidade do bancário: clientes que decidem cancelar seus consórcios. “O banco transfere para o trabalhador um risco que faz parte do negócio. Esta prática configura assédio moral estrutural”, explica o diretor de base do Sindicato do Rio, Herbert Correa. A lógica que transforma metas abusivas em ferramentas de punição e descarta profissionais dedicados, conta com o apoio dos Gerentes Regionais.

Armadilha do POBJ

O manual do Programa de Objetivos do Bradesco (POBJ) revela as regras do "Consórcio Expert". A norma estabelece uma espécie de "carência" de pontuação: para que o gerente, sua regional e a diretoria pontuem, o cliente precisa manter o pagamento por, no mínimo, cinco meses. “O absurdo reside no fato de que o Bradesco está responsabilizando diretamente os gerentes pela saúde financeira e pela continuidade do pagamento por parte dos clientes. Em um cenário econômico instável do país, onde dificuldades financeiras podem levar qualquer cidadão à inadimplência ou desistência, o banco exige que o gerente ‘garanta’ o comportamento do consumidor, algo que foge totalmente ao controle e à função do trabalhador”, acrescenta Herbert.

 

Demissões por Ganância

A situação atingiu um ponto crítico no último mês. A diretora do Rio de Janeiro que estava prevista pra ganhar uma bonificação em dinheiro como campeã de produção de consórcio, perdeu a colocação devido às desistências de clientes.

“A resposta da gestão foi implacável: a demissão de gerentes que realizaram as vendas, ignorando trajetórias de anos de dedicação, entregas consistentes e o cumprimento de metas. O banco optou pelo desligamento sumário. É o lucro acima das vidas. Enquanto o Bradesco celebra resultados bilionários, famílias de bancários são desamparadas por uma métrica punitiva e injusta”, critica o dirigente carioca, que acusa a prática de configurar assédio moral organizacional. O modelo de gestão impõe metas inalcançáveis e regras de pontuação punitivas e ainda utiliza o medo e a ameaça de demissão como método de controle, gerando um ambiente de insegurança e desgaste psicológico profundo.

Cárcere privado

A situação chegou a tal ponto que, na última sexta-feira (6/2) , o Sindicato recebeu denúncias que os gerentes regionais, pressionados pela Diretoria, exigiram que os bancários só deixassem as agências após a entrega do produto, o que Também configuraria a prática abusiva e desumana de cárcere privado.

“O Bradesco continua demitindo e sobrecarregando os funcionários para cumprimento de metas e usa de assédio e ameaças de demissão para alcançar os objetivos.  O banco tem que respeitar quem constrói o seu lucro e usar de forma clara e honesta as regras dos objetivos a serem alcançados. Houve relatos de bancários que passaram das 20h dentro das agências, sendo obrigados a alcançar as metas”, denuncia o diretor do Sindicato do Rio Leuver Ludolff. .

O Sindicato está de olho

Na avaliação do movimento sindical, a busca desenfreada por resultados não justifica o atropelo da lei e da dignidade humana. “É inadmissível que o risco da atividade bancária seja transferido para as costas do trabalhador. Se o cliente desiste de um produto, isso faz parte do negócio e não pode ser motivo para o encerramento da carreira de um profissional. Estamos acompanhando de perto cada caso e tomaremos todas as medidas judiciais e políticas cabíveis para proteger a categoria”, completou Herbert. 

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