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Diretora de Imprensa: Vera Luiza Xavier
O governo de Cláudio Castro foi marcado por escândalos de corrupção, baixa eficiência administrativa e avanço da influência do crime organizado sobre estruturas do Estado.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Carlos Vasconcellos
Imprensa SeebRio
Demorou, mas aconteceu. O povo do Estado do Rio de Janeiro finalmente se livrou de um dos piores governadores de sua história: Cláudio Castro (PL). Seu governo (2021–2026), substituindo o governador eleito após o impeachment de Wilson Witzel (PSC), foi marcado por escândalos financeiros, incluindo o investimento de cerca de R$ 2,6 bilhões do Rioprevidência no Banco Master. O caso é investigado pela Polícia Federal. Castro renunciou ao cargo em março de 2026, em meio à ameaça de cassação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A condenação, no entanto, ocorreu por outro escândalo. Por 5 votos a 2, o TSE decidiu, na última terça-feira (24), condenar o ex-governador por abuso de poder político e econômico na campanha à reeleição, em 2022.
Apesar de afirmar que irá recorrer, Castro dificilmente terá êxito. Com a decisão, ele fica inelegível por oito anos a partir do pleito de 2022, o que o impede de disputar eleições até 2030. Assim, o estado não apenas se livra de um gestor considerado ruim, como também evita o risco de vê-lo disputar um cargo no Senado.
Acusações graves
A decisão que levou à inelegibilidade tem como base denúncias de contratações irregulares na Fundação Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), Castro teria obtido vantagem eleitoral por meio da contratação de servidores temporários sem amparo legal e pela descentralização de projetos sociais, com envio de recursos a entidades desvinculadas da administração pública.
De acordo com a acusação, esse mecanismo teria viabilizado a contratação de 27.665 pessoas, com gastos de R$ 248 milhões.
Os votos dos ministros
Votaram pela inelegibilidade os ministros Maria Isabel Galotti, Antonio Carlos Ferreira, Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e Cármen Lúcia. Já os ministros Nunes Marques e André Mendonça, indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro — aliado político de Castro —, divergiram. Nunes Marques alegou que “não ficou comprovado o uso eleitoreiro das contratações” e destacou o desempenho eleitoral do ex-governador em 2022. Mendonça, por sua vez, afirmou não haver participação direta de Castro nas irregularidades.
Apesar das divergências, a decisão da maioria foi considerada uma resposta aos sucessivos escândalos que marcaram a gestão estadual.
Rombo nas finanças
Além das denúncias de corrupção, o governo deixa um déficit orçamentário estimado em R$ 18,94 bilhões para 2026, sem a entrega de obras relevantes. Na educação, os indicadores são catastróficos. No Ensino Médio, a rede privada do estado registra índice de 5,1 no Ideb, abaixo de unidades como Santa Catarina (6,0). Já na rede pública estadual, o desempenho é ainda pior: 3,3, na penúltima posição no ranking nacional (26º lugar entre os 27 estados).
Na saúde, os hospitais estaduais são alvos da maior parte das reclamações na área. E na segurança pública, nem é preciso dizer. Não existe mais na capital, bairro seguro e a violência assusta cada vez mais os cariocas.
Outros acusados
O TSE também declarou inelegíveis Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente da Ceperj, e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), ex-secretário de Governo. O tribunal determinou a retotalização dos votos recebidos por Bacellar, o que pode resultar na perda do mandato, embora a medida ainda dependa de recurso.
O ex-vice-governador Thiago Pampolha foi condenado ao pagamento de multa.
Com milícias e o tráfico de drogas exercendo forte influência sobre estruturas do Estado — incluindo o Executivo e a Assembleia Legislativa (Alerj) —, o cenário político do Rio de Janeiro segue desafiador. Cabe à população fluminense enfrentar projetos ligados à extrema direita e buscar alternativas que rompam com ciclos de corrupção e ineficiência.