EXPEDIENTE DO SITE
Diagramação: Marco Scalzo
Diretora de Imprensa: Vera Luiza Xavier
O Comando Nacional dos Bancários se reuniu nesta segunda-feira (2/3), em Brasília, na mesa de negociação sobre Igualdade da Mulher Bancária e Igualdade de Oportunidades com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Para o presidente do Sindicato dos Bancários do Janeiro e membro do Comando, José Ferreira, o encontro foi positivo, mas foram cobrados avanços mais efetivos.
“Tivemos uma rodada de negociação produtiva nos debates propostos pelo Comando Nacional. Algumas das questões demandam desdobramentos, que vamos acompanhar para que se efetivem. Acompanhe nossas redes sociais e no site do Sindicato onde traremos mais detalhes”, afirmou o dirigente.
Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT, destacou logo na abertura: “É um tema de muita sensibilidade e urgência e que a categoria vem se debruçando há vários anos, que é a luta contra a violência doméstica, a luta contra o feminicídio. Precisamos, mais do que nunca, da voz de todos, do engajamento dos homens, para proteger mulheres e crianças”, afirmou.
A dirigente observou que a categoria bancária conquistou, na última campanha nacional unificada, de 2024, cláusulas na CCT que responsabilizam os bancos pela criação de canais de atendimento e apoio às funcionárias vítimas de violência doméstica. “Uma conquista que aborda o direito à vida”, pontuou Juvandia.
Minuto de silêncio por Minas
No início da reunião, o Comando pediu um minuto de silêncio em memória das vítimas das enchentes na Zona na Mata Mineira, entre elas, a bancária Liana Martins. Foi reivindicada da Fenaban a abertura de um Comitê de Crise para a região, de modo a fazer um levantamento sobre como estão agindo os bancos para garantir o fechamento de agências, a não cobrança de metas e no.auxílio aos bancários e suas famílias. A Fenaban concordou em reunir o Comitê de Crise na próxima quarta-feira.
Violência contra as mulheres
O Comando frisou, mais uma vez, sua preocupação em relação à violência contra a mulher. Em 2018 essa discussão foi iniciada, com mais ênfase. Os representantes da categoria ressaltaram ser de fundamental importância debater essa questão na mesa de negociação, inclusive, para engajar os homens nessa luta.
Para o Comando Nacional, a violência contra a mulher tem impacto no mundo do trabalho e também um custo social. Por isto o problema tem que ser tratado com urgência e efetividade.
Balanço do Programa Basta!
Foi feito um balanço do canal de denúncia Basta! (de assessoria jurídica para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar) cujos dados demonstram que se consolida como uma conquista das bancárias. São 14 canais (em sindicatos) funcionando no país.
O objetivo é atuar na proteção às mulheres. Foram 542 atendidas, 518 processos jurídicos abertos, sendo 317 medidas protetivas efetuadas. Para o Comando, é preciso melhorar a divulgação nos bancos para que mais mulheres sejam atendidas.
Melhorias nos canais dos bancos
Entre os avanços mais recentes das mulheres bancárias, conquistados na mesa Igualdade de Oportunidades durante a campanha nacional de 2024, está a criação de canais, por parte dos bancos, de acolhimento às mulheres vítimas de violência doméstica, além de mecanismos de apoio, como transferência do local de trabalho, se assim for solicitado.
Mas o Comando apresentou diversos casos comprovando que o atendimento precisa melhorar. Os canais vêm apresentando sérios problemas. Houve pelos menos dois episódios de bancárias que entregaram aos bancos medidas protetivas e acabaram sendo demitas sob a alegação de “baixa produtividade”. E ainda reclamações de bancarias com dificuldades de mudar de local de trabalho apesar de terem sofrido violência. Houve, ainda, um episódio em que o agressor somente foi transferido de andar. O Comando cobrou da Fenaban, mais informações dos bancos sobre estas questões e a solução imediata das mesmas.
Censo da Diversidade
A Fenaban apresentou ao Comando, o resultado do Censo da Diversidade que, em 2025, mostrou um número mais baixo de participantes. Os bancos se comprometeram a se empenhar para que o número de respondentes aumente no próximo levantamento. O Comando avaliou que os números comprovam ser preciso muito mais empenho para avançar nessa mesa de negociação. A Fenabam concordou que o resultado da pesquisa mostrou, entre outros, ser preciso melhorar, sobretudo a inserção da mulher negra nos bancos. Os números apresentados mostraram o tratamento desigual entre vários segmentos: O Censo da Diversidade vem sendo coletado desde 2008. Deste de 2025 participaram 93.492 respondentes, correspondendo a 22,8% do total de bancários e bancárias de 35 bancos.
Veja alguns números:
• Gênero 54% homens e 45,9% mulheres
Cor da pele
• Negros: 33,1% (aumentou 14% desde 2008)
• Brancos - 69%
• Indígenas: 0,2%
Desigualdade
Número de pessoas com pós-graduação aumentou desde 2008 As mulheres negras têm maior percentual de participação no setor de operação dos bancos.
• 38% dos setores de lideranças são mulheres.
• 10,9% das mulheres negras estão em setores de liderança.
• O homem branco tem maior quantidade de progressão nos bancos.
• Os homens brancos tem os maiores salários.
• As mulheres negras com a mesma escolaridade recebem a metade do salário que os homens brancos.
• Diminuiu o número de pessoas negras que ganham mais de 20 salários mínimos.
• 87% dos respondentes se declaram heterosexuais.
• 6,7% dos respondentes se considera com deficiência.