Quarta, 27 Outubro 2021 18:30

Economia está quebrada, mas lucro do Santander é maior que o total investido em saúde pelo estado do Rio

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Imprensa SeebRio

Em contraste com as graves dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores e empresas dos demais setores da economia, o Santander lucrou R$ 4,34 bilhões no terceiro trimestre, um aumento de 4,1% em relação ao trimestre anterior, e de 12,5% sobre o mesmo período de 2020. De janeiro a setembro, o lucro acumulado foi de R$ 11,141 bilhões, um aumento de 16,4% sobre os primeiros nove meses de 2020.

Para que se tenha uma ideia do absurdo deste resultado em meio a um país em crise econômica profunda, com estagflação e juros crescentes, o lucro nestes nove meses é maior que os R$ 8,5 bilhões destinados para todo este ano no Orçamento do Estado do Rio de Janeiro à Educação, e os R$ 7, 5 bilhões para a Saúde. Mesmo com este resultado expressivo, sem qualquer dificuldade financeira, muito pelo contrário, o banco espanhol continuou demitindo durante a pandemia, num total desprezo pela vida humana.

Bancários e clientes explorados

O lucro é resultado, também, da exploração sobre os clientes, como lembra Marcos Vicente, diretor do Sindicato. “213,14% da receita com tarifas cobradas aos correntistas, aumento de 18,27%, são suficientes para pagar mais de duas folhas de salários e ainda sobra”, observou o dirigente. Lembrou que o banco espanhol, além das demissões, lucra nos salários, através do chamando turn over, contratando novos, com salários bem menores que os demitidos.

“O banco alega ter feito 4.149 novas contratações, o que deveria ser um ponto positivo, mas que não reflete a realidade, pois economiza com salários menores pagos aos que entram”, denuncia. Registra que, além disto, o Santander economizou em prejuízo dos usuários e clientes, fechando 139 agências e 35 postos de atendimento (PAB) e reduzindo despesas com PLR.

“Como se não bastasse toda esta ganância e exploração, as contratações, como já denunciado, se concentram em terceirizações via empresas do próprio grupo, onde os salários e direitos ficam bem aquém dos recebidos pelos bancários. Além disto, faltam funcionários o que faz com que o atendimento seja precário, o que se pode perceber olhando as agências, com filas imensas”, denuncia.

Marcos lembra que toda esta realidade vem aumentando cada vez mais os casos de afastamento por doenças do trabalho. “Para isto contribui também a pressão pelo cumprimento de metas cada vez maiores, ou a inexistência de horário rotineiro para almoço e descanso”. 

Além disto, o Santander vem descumprindo as leis brasileiras, se recusando a acatar decisões da Justiça, determinando reintegrações que descumprem o compromisso de não promover dispensas durante a pandemia. Em agosto foi condenado a pagar R$ 50 milhões em ação movida pela Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, por demissões durante a pandemia; por ataques aos participantes dos planos Cabesp e Banesprev; e perseguição aos dirigentes sindicais. A decisão é inédita na história da Justiça do Trabalho de São Paulo.

Lucro não fica no Brasil

Mais grave ainda é o fato de grande parte deste lucro absurdo não ficar no Brasil, sendo enviado para o país-sede, a Espanha. O lucro global atingiu 2,143 bilhões de euros, crescimento de 24,2% sobre o mesmo período de 2020 (1,750 bilhão de euros). O Brasil voltou a ser a unidade mais lucrativa do conglomerado.

Com lucro trimestral de 582 milhões de euros (aumento de 5,8% sobre os 550 milhões de igual período de 2020) correspondendo a 26,7% do lucro global. A título de comparação, o lucro somado de todas as unidades da Europa foi de 867 milhões de euros e a filial dos Estados Unidos veio em 2º, com lucro trimestral de 498 milhões de euros.

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