O jornal Bancário recebe constantes denúncias sobre o assédio moral contra funcionários da base dos serviços bancários de todos os bancos. Mas, ultimamente, as reclamações partem também dos funcionários de níveis gerenciais, o que demonstra que a sanha patronal pelo lucro desaba sobre todo tipo de empregado, em especial os mais antigos.
Os bancos desenvolvem uma política de eliminação dos funcionários com mais tempo de casa, para substituí-los por outros com menos experiência, ganhando menos, mas com disposição de se submeterem à sangria desatada da exploração dos banqueiros.
A denúncia mais recente desse tipo vem do Itaú Empresas. Por motivos óbvios, mantivemos o anonimato do autor. Ele é quem diz: “Depois de alguns anos no Itaú sinto-me humilhado, desmotivado, desrespeitado por gestão que nos conduz à depressão e à ineficiência. Trabalho no Itaú Empresas, nome que até parece indicar um status. Doce ilusão! Somos pressionados a consultar crédito diariamente para clientes que sequer estão interessados. Quando a proposta retorna aprovada, há mais pressão para fazer novo contato com o cliente e conquistá-lo para tomar recurso. Se o cliente não contrata, levamos a culpa pela demanda sem resultado. Tudo isso em nome de metas absurdas”.
O gerente denuncia a propaganda do “crédito consciente” como “demagoga” e “mentirosa”. Ele classifica de obscena a prática de operações de crédito “em que devemos entubar um seguro, uma venda casada”, disse, acrescentando que “uma nova moda do banco é o produto enlatado. É o seguinte: o cliente quer crédito, seguro nele. E as metas desse seguro deixam boquiaberto qualquer corretor experimentado, isto é, e as executaremos sem nenhuma qualidade. Isso é ético?”, pergunta. Ética, aliás, é o que o Itaú apregoa, mas para inglês ver.