Em negociação nesta quarta-feira (10/03), em São Paulo, com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), o Itaú Unibanco se recusou a atender à reivindicação dos funcionários, de pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) cheia (2,2 salários), para todos. O banco alega que cumpriu a regra prevista na Convenção Coletiva de Trabalho.
Ao fazer isto, o Itaú Unibanco está privilegiando o pagamento a seus executivos e acionistas, em detrimento dos funcionários, responsáveis pelo lucro de mais de R$ 10,5 bilhões, o maior entre todos os bancos privados do país. Agiu com pouco caso, até porque o pagamento da PLR proporcionou ao banco uma economia de R$ 559 milhões em encargos trabalhistas (INSS e FGTS). Para pagar a PLR cheia, faltariam R$ 32 milhões, menos de 6% do que o banco deixou de recolher em encargos trabalhistas.
Escárnio
Em contrapartida, o Itaú Unibanco provisionou 33% do lucro líquido (R$ 3,4 bilhões) para os acionistas, quando a lei só obriga a distribuição de 25% (R$ 1,8 bilhão). Além disto, numa provocação aos funcionários, o banco aumentou o valor distribuído como bônus aos executivos de R$ 121 milhões, em 2008, para R$ 225 milhões, em 2009, um crescimento de 86%. No fim das contas, apenas os trabalhadores perderam, já que a PLR de 2,2 salários, diminuiu para 1,8 salários, na média. É bom lembrar que, ano passado, com um lucro bem menor (R$ 7,710 bilhões), foram pagos, depois de muita pressão, os 2,2 salários de PLR. Este é o segundo ano consecutivo que temos sérios problemas com o Itaú. Em 2009 foi com o adicional, pago com o valor correto somente em abril.
Decisão política
Para o Sindicato e a Contraf-CUT esta foi uma decisão política do Itaú Unibanco que não esconde a forma como encara os funcionários. “É a velha visão escravocrata das elites brasileiras que lutam com unhas e dentes para manter seus privilégios. É esta realidade injusta que lutamos para mudar”, afirma a diretora do Sindicato, Adriana Nalesso, que participou das negociações, junto com o também diretor Carlos Maurício.
Ao tomar esta decisão, a empresa escolheu ficar bem com seus executivos e acionistas, e desafiar os bancários, duvidando da capacidade de luta da categoria. Não vamos aceitar esta imposição. A Contraf-CUT e sindicatos filiados farão quantas manifestações forem necessárias em todo o país até que esta decisão injusta e desrespeitosa seja revertida. Vamos usar todas as armas possíveis para garantir o pagamento da PLR cheia para todos.