A diretoria da Caixa Econômica Federal (CEF) extinguiu, de uma só vez, nesta segunda-feira, 12 unidades da Gerência de Administração de Fundos e Seguros Sociais (Gifus), como parte de seu plano de reestruturação, que vai atingir outros segmentos das unidades meio da empresa. Como os demais, o primeiro setor vítima do desmonte é estratégico. Entre outras funções, administra fundos ligados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, todos direcionados para a população de baixa renda.
A extinção é, ainda, um ataque ao corpo técnico altamente qualificado da Gifus, cerca de 570 empregados que serão destituídos de suas funções, tendo, de procurar outro local para trabalhar. Alguns têm prazo para incorporar a função, mas a grande maioria não, devendo perder parte significativa da remuneração. A diretoria da Caixa planeja concentrar a Gifus em apenas duas unidades, uma delas em São Paulo.
Manobra mais ardilosa desde a RH 008
Esta reestruturação, que tem como alvo, ainda, outras unidades, como a Gerência de Administração (Gimat), Gerência de Filial de Manutenção e Recuperação de Ativos de Terceiros (GICOT), fusão da Gerência de Manutenção de Ativos Próprios (Gicop) com a Gerência de Alienação de Bens Móveis e Imóveis (Gilie), entre outros, lembra a política de ataque à estatais do governo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB e do DEM, que se imaginava extinta.
O diretor do Sindicato, Paulo Matileti, condenou as iniciativas da diretoria da Caixa. Para o dirigente, a direção da empresa agiu de forma truculenta, sem qualquer transparência ou discussão com o movimento sindical e com os empregados. “Para quem não acreditava, ou ainda tinha dúvidas sobre a distância do discurso da direção da CEF (gestão participativa; comunicação direta, geral e irrestrita; respeito máximo a cada funcionário, melhor empresa para se trabalhar etc), e as suas atitudes e decisões, eis a prova da mais ardilosa “manobra” imposta por ela, desde a RH 008”, acusou Matileti.
Mobilização
“O desmonte que estamos presenciando, revoltados, destoa completamente dos objetivos de um governo que se diz democrático, de fortalecer as estatais, principalmente a Caixa, empresa voltada sobretudo, para o financiamento a projetos que beneficiam a população de baixa renda”, criticou o dirigente. “O que está por trás de toda esta reestruturação?”, questionou Matileti, chamando a atenção para que o funcionalismo esteja atento e mobilizado para reverter estes ataques.
Assembléia aprova atividades de mobilização
Os empregados da Caixa Econômica Federal aprovaram, em assembléia realizada na última quinta-feira, dia 4, uma série de decisões para organizar a mobilização dos bancários em defesa da jornada de seis horas diárias de trabalho.
Reestruturação
Os funcionários da Caixa aprovaram a realização de uma nova assembléia na quarta-feira, dia 24 de março, onde será debatido, além da jornada de seis horas, o Plano de Gratificação Funcional (PGF) e a reestruturação da empresa. Haverá também mobilizações nas unidades.
Os bancários aprovaram também a confecção de um jornal específico resgatando a história da luta da categoria que garantiu a jornada de seis horas e material de campanha.