Direção da empresa contrata e, ao mesmo tempo, lança Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA) para não aumentar quadro pessoal. Enilson Nascimento cobra da Caixa o aumento do número de funcionários concursados
A direção da Caixa anunciou em seu boletim informativo (n° 03-22/02/2010) e divulgou na mídia a contratação de mil novos funcionários concursados até o final do mês de fevereiro. O banco também havia se comprometido, em mesa de negociação permanente com os empregados, realizar novo concurso público antes das eleições deste ano.
A empresa tenta dar uma satisfação aos empregados, já que o Acordo Coletivo do ano passado prevê a contratação de mais de cinco mil funcionários concursados em 2010.
No entanto, o anúncio das novas contratações, via concurso público, esconde uma manobra do banco.
A manobra da empresa
A empresa lançou, através de Comunicação Interna (CI) do dia 29 de janeiro, o Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA). Como a Caixa possui hoje 4.396 empregados que já estão aposentados pelo INSS mas continuam trabalhando no banco, mesmo que contrate os cinco mil trabalhadores prometidos em acordo com os sindicatos, a direção da empresa, através do programa de incentivo à aposentadoria, apenas substituirá funcionários aposentados por novos concursados. “Um dos mais graves problemas no banco hoje é o número reduzido de empregados. A Caixa divulga à imprensa novas contratações, mas na verdade não aumenta o número de funcionários, apenas tenta substituir os aposentados pelos novos concursados para reduzir custos da empresa”, denuncia o diretor do Sindicato Enilson Nascimento.
A ilusão do PAA
Outra crítica feita pelos sindicalistas é em relação ao Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA). “O valor da indenização do plano de incentivo à aposentadoria é reduzido de apenas cinco salários-base para quem aderir. Além disso, no plano não estão previstos os 40% de multa rescisória do FGTS. Além de usar o programa para substituir aposentados pelos novos concursados, o que é prejudicial para os empregados, já que a proposta inviabiliza o aumento no número total de funcionários, a Caixa oferece valores irrisórios para o bancário deixar de trabalhar”, acrescenta.
O sindicalista lembra que, desde 2007, a Caixa vem usando essa estratégia.
Antes da decisão do Ministério Público, em 1997, que determinou a substituição dos terceirizados por concursados, a Caixa possuía mais de 100 mil empregados. Deste total, 42% eram terceirizados. A substituição de terceirizados tem acontecido de forma muito lenta. A empresa tem hoje 81.306 funcionários, uma redução de quase 20 mil o número de trabalhadores. A luta do Sindicato é contra a terceirização, mas também pelo aumento do contigente para atender às demandas e acabar com o acúmulo de funções e a sobrecarga de trabalho.
“A Caixa tem conseguido resultados positivos nos últimos anos graças ao sacrifício de seus empregados. Mas um banco público não pode ter êxito apenas nos lucros. É preciso valorizar seus empregados e respeitar a população, que sofre nas filas das agências em função do número reduzido de funcionários para o atendimento. O banco necessita de oito a 12 mil empregados para atender a sua demanda”, completa o sindicalista.