Terça, 11 Junho 2019 21:16

Políticas recessivas são usadas para aprovar reformas liberais

As políticas econômicas recessivas (pró-cíclicas) praticadas nos últimos anos no Brasil são uma das estratégias utilizadas pelos mercados para pressionar o governo a realizar reformas, como privatizações e reforma da Previdência, sob o argumento de que são necessárias para retomar o crescimento econômico. A afirmação foi feita pelo técnico do Dieese-RJ, Fernando Amorim, na análise da conjuntura econômica, que abriu os debates dos Encontros Estaduais dos funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, no auditório do Sindicato.  Amorim rebateu o discurso liberal dizendo que não há a relação direta entre a reforma da Previdência e a retomada do desenvolvimento. Na verdade, outros impasses da economia explicam muito melhor a recessão, como os altos juros e a ausência de valores agregados na exportação, o que repercute negativamente na balança comercial.
 Cartel dos bancos e juros
Outro aspecto fundamental que impede o país de sair da crise, segundo Fernando Amorim, são as altas taxas de juros. O Brasil possui hoje a segunda maior taxa Selic (juros básicos) do mundo, atrás apenas de Madagascar. Os bancos praticam as maiores taxas de juros do mundo: 322% no cheque especial e até 430% no rotativo do cartão de crédito. O técnico do Dieese criticou ainda a redução da oferta do crédito nos bancos públicos a partir do governo Temer.
O economista do Dieese rebateu  a retórica privatista do mercado. Em relação ao emprego, mostrou um dado preocupante, além da elevação dos índices de desemprego: o crescimento do subemprego e da informalidade: cerca de 26% dos brasileiros trabalham por conta própria, contra 36% que estão no mercado formal privado de trabalho e 12% no setor público.
“A formalização do mercado de trabalho aumenta a receita dos governos e o crescimento da informalidade, ao contrário, eleva o impasse do déficit público”, afirma.
Lembrou que as expectativas quanto ao desemprenho da economia são preocupantes. Para este ano, já há avaliações de menos de 1% de crescimento do PIB ou mesmo de estagnação.