Terça, 11 Junho 2019 21:26

Porque participar da greve geral

A discussão agora não é mais direita, esquerda ou centro. Esse ou aquele candidato. A discussão agora é a iminente perda dos direitos que os trabalhadores conquistaram durante anos.
Estamos prestes a perder o direito constitucional à aposentadoria. O regime atual da Previdência é tripartite, ou seja, contribuem os trabalhadores, os empregadores e o governo. A contribuição do governo não tem sido repassada e os impostos cobrados como o COFINS e CSLL estão sendo utilizados para pagamento da dívida pública. Além disso, não há cobrança dos devedores da Previdência, entre eles, os grandes bancos e corporações.
No sistema de capitalização, apresentado na proposta da reforma, somente o trabalhador contribuirá. Isso é um absurdo se considerarmos o mercado de trabalho brasileiro. Como contribuir por 40 anos e conseguir se manter empregado até os 65 anos? Ainda temos muita discriminação no mercado de trabalho, e uma delas, é justamente a idade, quando uma pessoa acima dos 40 anos já é considerada, muitas vezes, velha.
Temos exemplos pelo mundo de países que implantaram o modelo de Previdência que o governo quer aprovar. Podemos citar o Chile, onde o índice de suicídios aumentou muito entre os idosos, que sem perspectivas de trabalho, tiram a própria vida. Outros países que também instituíram este modelo de Previdência estão tentando se desfazer dele. O caminho de volta é muito mais difícil.
Precisamos reagir a isso enquanto há tempo. As manifestações e a greve geral no dia 14 de junho são as ferramentas que, nós trabalhadores, temos para mostrar as nossas insatisfações e pressionar os parlamentares para não aprovarem esse projeto que vai dificultar ainda mais o nosso futuro.
Nos, trabalhadores, definitivamente não somos o problema do país, mas sim, a solução. Produzimos, consumimos, pagamos impostos, fazemos a roda girar. É preciso refletir o porquê dos militares, parlamentares e judiciário não terem sido incluídos nessa proposta.
Vamos dizer não a isso tudo. Vamos à greve geral!
Adriana Nalesso – Presidenta do Sindicato dos Bancários do Rio