Por Celso Woyciechowski, é presidente da CUT/RS
A gravíssima crise instalada no Rio Grande do Sul envergonha e indigna homens e mulheres que aqui moram, estudam e trabalham, contribuindo, de alguma forma, com a formação do patrimônio público, ético, moral e financeiro do nosso Estado, seja pagando religiosamente seus impostos, seja conduzindo-se de modo a exercitar sua cidadania de maneira íntegra.
A gravação que o vice-governador do Estado, Paulo Feijó, realizou do seu diálogo com o chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, no Palacinho, no dia 26 de maio, estampa não só episódios extremamente condenáveis de uma prática inaceitável de fazer política, misturando as contabilidades de órgãos públicos com as caixas de partidos políticos, como ainda expõe a deterioração da relações internas do Executivo estadual que necessita recorrer a técnicas duvidosas de arapongagem para registrar as verdadeiras e inconfessáveis intenções da gestão estadual.
Demonstra, com estas vergonhosas exibições levadas ao conhecimento da opinião pública, reproduzidas em órgãos de comunicação de todo o país, um nível inusitado de crise política e institucional jamais visto no Rio Grande do Sul que está submetido a um sentimento penoso de desonra.
Logo, os gaúchos embevecidos entoam louvações ensordecedoras às "nossas façanhas" em um hino tão marcante como a letra de Francisco Pinto da Fontoura cantado na música de Joaquim Mendanha.
Vale lembrar que esta governadora, de pose arrogante e conturbadas relações políticas, já assumiu provocando forte contrariedade de dois deputados convidados a serem secretários de Estado, mas que se recusaram a assumir cargos em um Executivo pronto a propor o aumento de impostos, renegando tudo que tinha prometido em seu discurso de campanha eleitoral.
Sem apoio de sua própria base aliada no Parlamento, a governadora tucana sofreu uma derrota inesquecível e acachapante da Assembléia Legislativa sintonizada com os anseios dos eleitores.
Outros secretários, talvez tomados da mesma desilusão, foram desfalcando a administração. Um saiu avisando que deveria ser feita uma limpa em órgão de sua própria pasta da Segurança Pública. Outro integrante do primeiro escalão foi flagrado tomando um chopinho, em amistoso encontro com o principal réu do processo inspirado na operação Rodin.
Com isto, a gestão evidenciou-se cada vez mais fragilizada e cada vez mais inerte em termos de realizações, prejudicando o nosso Estado.
No entanto, a revolta dos gaúchos não se limita às tristes surpresas que já vêm sendo reveladas por integrantes deste governo e do que o antecedeu nas sessões da CPI do Detran, motivada pelas descobertas da Operação Rodin, que desbaratou uma quadrilha responsável pelo desvio de mais de 44 milhões de reais dos cofres públicos do RS.
Cada sessão da comissão no Legislativo mostra a contradição, a incoerência e o envolvimento dos réus em uma organização criminosa formada para assaltar recursos que saem dos bolsos dos trabalhadores.
Indigna muito saber que enquanto acontecem estes volumosos roubos do nosso erário, escoados principalmente do Detran, do Banrisul e do Daer, que são órgãos citados pelo chefe da Casa Civil na malfadada gravação, não existem recursos suficientes para a saúde, para a educação, para a segurança pública, para as políticas públicas dos que mais necessitam de apoio. Ou mesmo para recompor os baixos salários de trabalhadores, essenciais para a prestação do serviço público, como professores, policiais militares e civis, servidores da saúde.
Resta saber até onde vai a omissão, a conivência ou a cumplicidade dos mais altos mandatários do RS com esta situação de um governo que tanto nos desilude, nos humilha e que, acima de tudo, deixa a população espantada e o nosso Estado completamente paralisado.